Arquivo do mês: abril 2014

Constatações sobre a dor

É um processo doloroso amadurecer. É ainda mais doloroso quando passo por momentos de dor sabendo que é o melhor de Deus para mim. Me questiono, como pode ser que um momento que doa tanto, algo que me faça sofrer possa ser o melhor e ainda mais, pode ser para o meu bem? Apesar de parecer extremamente contraditório é assim mesmo que as coisas no caminhar com Jesus funcionam.

Passo pelas experiências e não consigo ser a mesma, não mais sou o que um dia fui. Me transformo, de glória em glória, a glória que é dEle a propósito, e não minha. Nada para a minha própria exaltação, ou para que eu seja reconhecida. Tudo para que Ele seja engrandecido, exaltado e glorificado. Tudo para que eu possa prosseguir em caminhar com Ele e conhecê-lo melhor.

É no momento da dor que percebo como é difícil crucificar o meu eu. Porque enquanto dói, não quero me lembrar de que tudo o quanto faço ou passo é para Ele e por Ele, não, eu só penso no quanto estou sofrendo, o quanto está doendo, e quão rápido Ele vai trazer o remédio para fazer a dor insuportável passar. Nessa hora não sou humilde, não sou amorosa, tão pouco sou compassiva. Não. Nesse momento meu egocentrismo grita por todos os lados dando sinais de vida me lembrando o quanto ainda terei que lutar, caminhar e buscar para que possa ser um mínimo que seja mais parecida com Ele.

Nos momentos de dor, esqueço toda a dor que Ele passou por amor. Toda poesia passa, o nosso romance esfria, minha dependência da graça vai bem para as cucuías, porque ta doendo. Caramba ninguém vê, não percebe que está doendo. Em um primeiro momento eu busco todos os médicos, todos os remédios, todos os amigos, todos os bajuladores, porém não busco O médico, O remédio e O amigo, que é tão suficiente que dispensa a necessidade de todo e qualquer bajulador porque Ele é protetor.

É vergonhoso quando me confronto comigo, e percebo que ao longo de tanto tempo busco matar o meu eu, para que possa ser um pouco que seja melhor, que me esforço para agradá-lO, que solto aos quatro ventos “eu te amo”, “quero o Seu querer”, “quero ser como Tu és” e justamente quando tenho essa oportunidade todo o meu discurso desce ralo abaixo.

É impressionante como me distraio. Como rapidinho um luzinha qualquer atrai a atenção do meu olhar quando eu tenho o Sol da Justiça bem diante de mim. Meu Deus é ridículo mas isso acontece comigo. É impressionante como ao invés de simplesmente me entregar e entregar minhas mazelas em suas mãos, eu quero o tempo todo me justificar, argumentar e provar por A+B que sim estou certa, que é isso ou aquilo. Quando na verdade eu não preciso provar nada, falar nada, fazer nada, porque é Ele quem me justifica, é a Sua palavra que fala e é o Seu Espírito quem faz.

Contudo ao acordar pela manhã, e perceber que tenho um novo dia diante de mim, recebo uma nova chance um convite para que eu abandone esse comportamento de mulher independente e me entregue inteiramente a Ele. Essa esperança dada me conforta e não me deixa sucumbir a tristeza por ter fracassado tantas e tantas vezes, mas me fortalece e gera fé em mim para que eu finalmente me renda a Sua vontade pra mim, vontade essa que é boa, perfeita e agradável. Perseverarei nAquele que não desistiu um momento sequer, que não me abandonou e que ainda acredita em mim.

A caminho da segunda milha,

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